Entrevista a Gonçalo Lagem, candidato da CDU à CM Monforte

– Quais são os principais objetivos e prioridades para o Concelho de Monforte?

Como já referi o nosso programa tem a identidade do Concelho como referência. No mundo em que vivemos cada vez mais global o que nos distingue e nos torna competitivos e atrativos é se conseguirmos afirmar  o nosso território pela sua diferença  e diversidade.. Se conhecermos bem as nossas raízes, a nossa cultura, o “saber fazer “que nos foi transmitido durante gerações e como chegámos,  até aqui, contrariando as adversidades, temos memória e isso confere-nos identidade. A identidade do Concelho de Monforte resulta das relações que as nossas gentes tiveram com a sua terra e como a transformaram com engenho e arte.  Nunca negámos a  nossa ruralidade!  Essa Identidade tem permitido afirmar-nos contexto regional e nacional, através de projetos inovadores, apoiados pelo município que têm contribuído para novas dinâmicas neste território que tem nas suas gentes e nos seus recursos endógenos, o potencial para continuar o desenvolvimento socioeconómico deste Concelho. Hoje a afirmação dos territórios rurais como Monforte, em particular neste contexto de pandemia, conseguiram contrariar, o momento de  crise económico e social, aliás nunca tivemos um número tão baixo de desemprego. Isso prova que estamos no caminho certo.  A resiliência está na capacidade que tivemos de apoiar os diferentes setores da economia e responder com eficácia aos desafios que nos forem colocados.  O principal objetivo é contribuir para o desenvolvimento da atividade económica tendo presente aqueles  que são os objetivos estratégicos do próximo ciclo de Fundos Comunitários e PRR.

Os nossos recursos endógenos têm tido na agricultura o seu principal suporte, permitindo o desenvolvimento do setor agroalimentar e agroindustrial. A inovação neste setor tem captado investimento para o Concelho e permitido a dinamização de outros  setores como o comércio e os serviços em geral. A posição estratégica de Monforte permite o investimento em áreas de apoio logístico, por isso a conclusão da ampliação da Zona Industrial e a atual reabilitação de um edifício para apoio aos agentes económicos na Zona Industrial foram e são uma prioridade. Os nossos  produtos são de qualidade e muitos deles certificados.  A diversidade das dinâmicas no espaço rural em que vivemos permite-nos sustentar  outras  atividades económicas, para além das já mencionadas, como a biotecnologia, o Turismo e lazer e a economia circular. Apostar na inovação e nas novas tecnologias nestes setores e outros da economia digital,  em parceria com os empresários locais e outros investidores externos constituirá uma oportunidade para o Concelho de Monforte se posicionar para um novo ciclo de financiamentos de Fundos Comunitários e no PRR . A   nossa economia social, um dos principais empregadores concelhios, com a  pandemia, veio recolocar a questão sobre as necessidades dos mais idosos, mas também das nossas crianças e jovens.   As nossas instituições de apoio aos mais idosos necessitam de se adaptar a novas valências de acordo com as necessidades dos seus utentes e de novos públicos. A experiência adquirida pelas nossas instituições e a competência daqueles que nelas trabalham são a prova de que em conjunto estaremos preparados para em parceria com a área de saúde, diversificar a oferta e criando  mais postos de trabalho. Aliás, a saúde é  um dos setores mais sensíveis do Concelho de Monforte, onde o Município não tem competências, mas que os tempos de pandemia provaram que estivemos sempre ao lado de todos os profissionais de saúde para  conseguirmos ultrapassar as dificuldades.  Para além do apoio que continuaremos a dar em medicamentos  aos mais idosos, estamos dispostos a colaborar com a ULSNA e o Centro de Saúde para promover parcerias para melhorar os cuidados de saúde da população do Concelho, apostando na prevenção e nos serviços de proximidade.

A Educação foi a nossa prioridade desde que iniciámos o nosso mandato há 8 anos. O maior investimento municipal de sempre foi a requalificação da escola de Monforte, permitindo melhorar as condições de ensino e aprendizagem, garantindo às nossas crianças e jovens, um equipamento de excelência. Mas este investimento no parque escolar foi efetuado também nas freguesias e continuaremos a investir na sua requalificação e no apoio ás crianças e jovens e suas famílias através das bolsas de estudo, apoio às atividades letivas e extracurriculares. Se este setor foi o que até hoje teve o maior investimento municipal, revela que sempre o considerámos transversal ao desenvolvimento das nossas comunidades.  Continuaremos a promover um processo educativo em parceria com toda a comunidade, contribuindo para os nossos objetivos de melhorar a capacitação das nossas crianças e jovens, com acesso às mesmas oportunidades, sem exceção.

O direito á habitação é estratégico para a qualidade de vida das nossas populações.   Nos últimos 8 anos temos investido na requalificação e reabilitação urbana, dotando o espaço urbano de infraestruturas,  equipamentos e de condições de mobilidade para melhorar a qualidade do ambiente urbano e regenerar áreas mais degradadas em todas as freguesias do Concelho. As áreas de reabilitação urbana existentes em todas as freguesias vão permitir a reabilitação do edificado com mais de 30 anos e através de uma estratégia local de habitação (ELH), dotar o concelho de Monforte de um parque habitacional com melhores  condições de habitabilidade, incluindo a eficiência energética e acessibilidades, em particular, para a população mais idosa.  O apoio á  primeira habitação para os mais jovens e alargar mercado  de arrendamento, bem como de promover  alguns loteamentos (3ª fase do Tapadão) têm como objetivo uma oferta sustentável de um parque habitacional que promova a fixação e atração da população .

O investimento municipal  na qualidade das suas infraestruturas, como a  rede viária, a rede de abastecimento e saneamento, a recolha de resíduos , continuarão  a ser uma prioridade para garantir a qualidade da prestação de serviços a todas as freguesias do Concelho. Em particular, a necessidade de remodelação da rede de abastecimento e saneamento em baixa, investimento que tem sido adiado, por falta de comparticipação de Fundos Comunitários para as autarquias que não estão em sistemas intermunicipais, como Monforte, mas que estabelecemos como prioridade para o próximo mandato.

Por último os setores da cultura , do desporto e lazer como transversais a todos os setores de desenvolvimento concelhio.  Os equipamentos culturais tiveram dos maiores investimentos dos últimos anos, estando em fase de conclusão o Monforte Sacro, Centro interpretativo da azulejaria do sec.xviii  da rainha Santa isabel e iniciaremos em breve a reabilitação da Casa do Prior para Centro de Promoção de Produtos Locais. Estando previstos a reabilitação de outros edifícios noutras freguesias para a realização de eventos e no Centro histórico de Monforte, o centro  de promoção do património cultural local na  casa de António Sardinha. Ao nível dos equipamentos desportivos a requalificação dos polidesportivos e praças de touros nas freguesias, em Monforte , o Parque desportivo (as piscinas cobertas e descobertas, o campo de futebol). De referir que o Futebol Clube Monfortense, está com uma dinâmica fortíssima.  Ao nível do Lazer a requalificação da  praia fluvial de Monforte e um Parque de Auto caravanismo vão ao encontro dos nossos objetivos de diversificar a oferta, tanto para as nossas populações, como para aquele que nos visitam. Só uma última referência aos investimentos na área do Turismo que consideramos uma de atividade complementar às dinâmicas em espaço rural e em, particular a implementação da reabilitação do antigo Motel de Monforte.  A concretização destes objetivos depende da capacidade que tivermos para criar “pontes” e estabelecer parcerias com os diferentes agentes sociais e económicos do nosso concelho, mas em particular com as instituições e entidades da administração pública regional e central, em particular com o Governo. Esta tem sido a nossa forma de trabalhar e temos conseguido os nossos objetivos. Uma última palavra para os trabalhadores do município e os serviços municipais que têm partilhado connosco todo este trabalho, com empenho e dedicação, pelo que continua a ser uma prioridade a sua valorização social e profissional, para que possamos prestar, sempre mais e melhor serviço público, ao serviço das nossas populações.

 – Qual é aquele problema que promete resolver? Quais as maiores promessas que pode fazer à população do Concelho?

GL- Nós não prometemos, nós não fazemos promessas,  nós cumprimos! Nem sempre no tempo que desejaríamos por dificuldades de financiamento, de atrasos nos concursos públicos e, em particular nestes 2 últimos anos em que tivemos que alterar as nossas prioridades em função do contexto de pandemia.  O concelho não tem um problema, tem vários, que já foram identificados e aos quais temos sabido responder com o nosso trabalho e humildade para estar próximo das populações, das pessoas, ouvindo e aprendendo, em conjunto, a encontrar soluções. Os problemas têm dimensões diferentes consoante as pessoas, o sítio onde vivem, as suas condições de vida. Não me compete a mim dizer qual é “um problema” que vou resolver! O que temos são um conjunto de objetivos para implementar, para resolver os problemas que mais afetam as nossas populações a diferentes níveis, desde o “buraco” à frente da porta , ás dificuldades socioeconómicas, ao emprego, ao isolamento  e á solidão dos mais idosos, ao apoio ás nossas crianças e jovens, ou seja garantir a qualidade de vida das nossas gentes.

Enquanto for Presidente da Câmara não faço promessas  que não possamos cumprir.

– Quais as expetativas para estas eleições?

Quando nos candidatamos conscientes das nossas responsabilidades,  dos nossos compromissos, do trabalho realizado e daquilo que ainda não fizemos e sabemos que temos para realizar , a tranquilidade é o sentimento que exprime o que sinto face ás próximas eleições de dia 26 de Setembro.

– Qual é o orçamento global da sua candidatura?

Entre mupi’s, pendões, umas t-shirt’s que mandámos fazer, flyer’s e outras despesas como arrendamento da sede de campanha, rondará os 5000€.

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